[QUEM CONTA UM PONTO...] O IMORTAL (Machado de Assis)

sexta-feira, 6 de junho de 2014


Essa semana, o Loucamente Louca Mente traz um conto do grande 
Machado de Assis, no qual o autor flerta com 
a Ficção Científica.

Olá, amigos! Em nossa sessão de resenhas de hoje trazemos uma curiosidade aos fãs do grande Machado de Assis: sabiam que ele também escreveu ficção científica? Sim, meus caros, ele se aventurou por essas praias e que, diga-se de passagem, me agradou por demais.

"O Imortal" foi originalmente publicado no ano de 1882, encartado na revista A Estação. Dividido em seis partes, foi baseado em outro conto seu, intitulado “Rui de Leão” - e publicado dez anos antes. O conto trabalha com a história de um homem que, após abandonar o convento de frades onde vivia, casou-se com Maracujá, a filha do chefe de uma tribo indígena chamado Pirajuá. Por sua vez, certa noite ele é acordado pelo sogro, que lhe informa que, na manhã seguinte, iria morrer. Mas antes disso, o índio lhe confere um último presente: um elixir cujas propriedades confeririam a vida eterna para quem bebesse. Dessa forma, o homem se tornara imortal ao beber o elixir que, além de curá-lo de uma doença mortal, não permitiria que ele viesse a ser  acometido por qualquer outro mal, mantendo-se sempre jovem e robusto. 

“Já agora a morte era certa, que perderia ele com a experiência? A ciência de 
um século não sabia tudo; outro século vem e passa adiante. Quem sabe, dizia ele 
consigo, se os homens não descobrirão um dia a imortalidade, e se o elixir científico 
não será esta mesma droga selvática?” - pg. 5.

O protagonista então deixa a aldeia com a ideia de “fazer analisar a droga na Europa, ou mesmo em Olinda ou no Recife, ou na Bahia, por algum entendido em cousas de química e farmácia”. Desenrola-se a vida de Leão, que viajava pelo mundo sem envelhecer e vendo morrer seus amores e conhecidos. Foi inclusive condenado à morte, sem sucesso: “uma vez dado o golpe, os tecidos do pescoço ligavam-se outra vez rapidamente, e assim os mesmos ossos”.

A ciência, embora não seja protagonista neste conto, aparece de forma sutil em vários momentos. O imortal é descrito por seu filho – o narrador da história – como um homem muito culto e que “sabia uma infinidade de coisas: filosofia, jurisprudência, teologia, arqueologia, química, física, matemáticas, astronomia, botânica”. Além disso, o final do conto – quando Leão finalmente se livra da imortalidade – é apresentado como uma “prova” da eficácia da homeopatia.

Na minha opinião...
Durante nossas buscas por textos e autores novos, acabamos encontrando verdadeiros achados que acabam nos passando despercebidos por décadas. Na semana passada falamos de um conto de terror de H.G. Wells (esse aqui), e hoje encontramos mais um com essas características. Achar um texto (quase) esquecido desse célebre autor brasileiro e, principalmente, de características da ficção científica me deixou realmente animado. Machado de Assis já era muito bem quisto por mim, e passou a ser ainda mais estimado. 

O Imortal está encartado na coletânea "Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica" (Devir, 2008), mas como esse conto específico é datado do século XIX, ele acabou sendo disponibilizado para o domínio público. Para quem desejar ler esse ótimo texto de Machado de Assis na íntegra, basta clicar aqui para acessá-lo. 

Eu quero... =/

Grande abraço e até a próxima!!!





4 comentários:

David Aldiss disse...

Muito bom!! eu tive contato com este conto antes de qualquer outra coisa do escritor.... me apaixonei logo de cara!! parabéns pelo texto!

Fabricio Machado disse...

Opa, obrigado David!!! Foi bacana descobrir mais da versatilidade que tinha o grande Machado de Assis!

Acompanhe-nos sempre que possível!

Abraço

Fabricio

Elaine Cuencas disse...

Muito boa indicação! Machado sempre! Vou seguir e indicar o blog!

Dayanne Soares disse...

Olá! Estou interessada em saber a sua interpretação do final deste conto.
Abraços.

 
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